sábado, 23 de março de 2019

Introversão, amizades, identidade, etc.

Por Ghost Writer

Instintivamente sabemos o que é melhor para nós, lá dentro da nossa cabeça ecoa aquela voz que te diz como agir e o que te faz bem, você pode chamar essa voz de Deus ou apelar para o cliché da "voz do coração", mas eu prefiro chamá-la de autoconsciência, pois quando não estamos inflamados por emoções, é essa "voz da razão" que ecoa. Por muito tempo ignorei os conselhos da minha consciência, sempre me senti muito melhor sozinho, ou na companhia de seletas e poucas pessoas do que permeado por grupos, mas mesmo assim, eu me forçava a ser sociável, "descolado" e engraçado, tudo isso em prol de uma aceitação alheia, de pessoas que de fato, nunca fizeram a mínima diferença na minha vida.

Creio que a maioria dos sujeitos introvertidos e introspectivos, já se submeteram a situações parecidas, pois nossa sociedade é moldada para a socialização, já que somos animais gregários, no entanto, tanta socialização e publicidade (através das várias redes sociais) resulta na nossa perda de identidade e autenticidade. Tudo isso desemboca numa falta de pensamento crítico e "comportamento de gado", aquele que segue a manada cegamente, sem considerar suas próprias vontades, e isso é o mesmo que se matar aos poucos.

Hoje em dia sou livre para ser quem eu sou, pois abri mão do ethos sociável no qual coercitivamente tentei me encaixar, sou de pouquíssimas palavras e converso o estritamente necessário, não porque eu me sinta superior a maioria das pessoas, mas porque o silêncio me faz muito bem. Calado, eu economizo energia vital para refletir sobre minha vida, o comportamento alheio e outras problemáticas; o silêncio propicia a concentração já a balbúrdia, dispersa, nos deixando agitados e irracionais, tal como uma horda. Uma qualidade muito boa que a maior parte de indivíduos introspectivos e introvertidos têm, é a capacidade de detectar falsidades e segundas intensões mais rápida e precisamente que o resto das pessoas. Eu particularmente, sinto cheiro de falsidade e intenções escusas como um tubarão sente cheiro de sangue, à quilômetros! Isso acontece porque você se torna mais analítico do comportamento alheio, sem falar que geralmente quando se é mais calado, as pessoas tentam se aproveitar por levianamente achar que você seja bobo e um alvo mais fácil de explorar, ledo engano delas!

Assumir quem realmente você é vai afastar imediatamente muitas pessoas, mas geralmente aquelas que se aproximarem espontaneamente, serão suas amigas por questão de afinidade e são essas poucas pessoas que precisa-se valorizar. Claro que o radar contra falsidades vai estar sempre ligado, é instintivo e você sente, mas quanto à pessoas verdadeiras também, você percebe quando se está seguro na presença de verdadeiros e raros amigos. Já dizia-se que quantidade não é qualidade e é uma afirmação verdadeira, pois ter muitos conhecidos e ter  um círculo social extenso resulta inevitavelmente em superficialidade e falsidade, são poucos que você irá considerar como de fato amigos, digo inclusive, que amigos verdadeiros conta-se com os dedos de uma única mão, passou disso, é colega.


sexta-feira, 22 de março de 2019

Hipoglicemia de Rebote

Por Ghost Writer

Academia nunca foi um ambiente no qual eu me sentisse à vontade. Aquele altar da saúde e beleza física só me lembra dores, suor e o pior: muitas pessoas. Não se pode negar que fazer atividade física é de suma importância para a saúde em geral e até para uma "melhor" aparência, mas eu definitivamente não nasci para ser rato de academia (na verdade, sou mesmo é rato de biblioteca). Lembro-me que fui feliz a uma consulta com a nutricionista, chegando lá foi constatado que eu estava com sobrepeso (era inegável), e é claro que ela me passou uma dieta e me mandou fazer exercícios físicos.

Eu não me dou muito bem com dietas, gosto da liberdade de comer o que eu quiser, então fui me inscrever na academia. Fui de manhã bem cedo, me forçando ao máximo, pois sou notívago e pela manhã eu pareço um zumbi sem alma, funcionando no automático; antes de sair de casa comi uma banana e um pedaço de mandioca (macaxeira, em algumas regiões brasileiras) e depois bebi água. Lá fui eu "feliz" da vida malhar, chegando lá, o professor me ensinou como utilizar alguns equipamentos e definiu o número de sessões, instrução vai, instrução vem, começo a me sentir cansado depois da terceira sessão de exercícios, logo me veio uma tontura, uma ânsia de vômito e um suor frio. 


Eu estava tão mal que o professor percebeu minha visível palidez e me mandou parar os exercícios e me sentar. De fato esse episódio foi horrível, mas não consigo negar que hoje em dia quando me lembro morro de rir, principalmente pela cara do professor, pensando que eu fosse desmaiar ou morrer. Depois de eu me sentar, o professor perguntou se eu tinha tomado café, daí eu disse o que tinha ingerido e ele chegou à conclusão que eu tivera um pico de hipoglicemia (sobretudo por conta da banana), mais especificamente, uma hipoglicemia de rebote. Isso acontece quando se come carboidratos simples (aqueles com ligações químicas facilmente quebráveis), que são rapidamente "queimados" pelo organismo e dessa forma, quando se acaba o "combustível" (glicose) vem a famosa hipoglicemia, com sintomas como tontura, fraqueza, suor frio, ânsia de vômito e palidez. Como eu estava me exercitando, o corpo gastou ainda mais rápido a glicose.


Depois de constatado meu problema, o professor me deu o remédio: confeito. Dessa forma, ingerindo outro carboidrato simples eu restabeleci o equilíbrio da minha taxa de açúcar no sangue. A pior parte de tudo, é que eu sempre encontro meu ex-professor no ônibus, e morro de vergonha, acho que quando ele me vê pensa: "Olha lá, o carinha que quase morre no primeiro dia de academia", essas coisas inusitadas só acontecem comigo. Após esse episódio vexaminoso nunca mais fui à academia, pois hoje prefiro fazer caminhadas ou andar de bicicleta, que são atividades simples em que não corro o risco de pagar um King Kong desses, também percebi como a gente aprende a todo momento, inclusive em situações inusitadas. De uma coisa eu sei, que nunca vou esquecer o que é hipoglicemia de rebote.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Resumo crítico do livro "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry.




Por Ghost Writer


Em O “Pequeno Príncipe” Antoine de Saint-Exupéry descreve os homens sob uma ótica pueril, aborda as atitudes de forma figurada projetando em cada personagem, humanos ou não, os aspectos da humanidade. O incômodo existencial é produto da reflexão que o autor nos leva a fazer, primeiramente, sobre como o mundo é supérfluo, efêmero e incerto, pois como o homem é um ser cada vez mais ocupado se torna objetivo, simplista e anestesiado demais.

Com a vontade condicionada à objetividade exacerbada, Saint-Exupéry diz que julgamos os indivíduos em termos quantitativos, avaliamos o quanto se ganha, o quanto se pesa, quanto se tem de altura, qual sua idade, o quanto se tem de prestígio, e que nunca avalia-se quem realmente a pessoa é, o que ela gosta e o que sente. Enfim, os algarismos são mais importantes do que as sentimentalidades.

Outro ponto abordado é o fato de atribuirmos muita importância à aparência, ele dá o exemplo do astrônomo turco, quando este apresenta sua descoberta do asteroide B612 usando trajes de palhaço e devido a esta indumentária, a demonstração não foi considerada séria e digna de créditos. Onze anos depois, o astrônomo apresentou o mesmo projeto, agora vestido com trajes considerados sérios e elegantes, logo houve a aceitação da descoberta. Isto é, as vestimentas (aparência) são mais importantes que a essência.

O autor dá exemplos de indivíduos supérfluos, pessoas que vivem somente por aparência e que esquecem o que realmente são, dessa forma, podemos ter como exemplo a flor que nascera no planeta do pequeno príncipe, esta era bela, porém narcisista, pensava tão somente em suas qualidades, o quanto era bonita e envolvente, não desfrutava de modéstia alguma e visava conseguir as coisas usando sua persuasão com mentiras e chantagens emocionais. Esta flor representa muitas pessoas, orgulhosas, narcisistas, superficiais, que buscam constantemente o amor e a aprovação alheia.

No momento em que o principezinho viaja pelos outros planetas, Saint-Exupery demonstra de maneira genial, representado por cada habitante de cada planeta, às condutas humanas mais vigentes em nossa sociedade. No primeiro planeta havia um monarca, muitíssimo autoritário que exigia ser obedecido com veemência, este rei representa as pessoas autocratas que falam em disciplinas e cumprimento de ordens, são indivíduos egoístas e imediatistas, não sabem esperar nem compreender os outros, somente a si próprios.
Pensam em satisfazer somente suas necessidades, são sujeitos egocêntricos, que têm a certeza de tudo estar girando ao seu redor e em sua função. São pessoas que gostam de julgar os outros, pois se acham corretas e imbuídas de autoridades, esquecem que o homem mais sábio é aquele que julga a si mesmo.

No segundo planeta havia um homem muito vaidoso, este indivíduo representa todas as pessoas que vivem em função de receber elogios, movidos pelo almejado reconhecimento alheio, se julgam os mais belos, os mais sábios, os mais bem-vestidos, os mais tudo, como se a vida fosse um concurso. A vaidade dessas pessoas ensurdecem seus ouvidos às críticas. Tais sujeitos acham que todos são seus admiradores, e que todos tem o dever de reconhecer seus talentos e qualidades, quando isso não ocorre, geralmente sentem-se traídos e desprezados, pois vivem em função de elogios.

No terceiro planeta residia um dependente químico, este, representa os indivíduos que vivem acomodados, que sentem vergonha por essa acomodação, mas que não fazem nada de diferente para quebrar as rotinas que tanto os prendem na monotonia e no conforto. São seres inertes, que deixam a vida passar, são conformados com tudo e se ocupam somente com lamúrias.

No quarto planeta, cujo habitante era um empresário, representa as pessoas que nunca têm tempo para nada, vivem imersas em seu trabalho, sem tempo para a família, amigos e para si própria, esquecem de viver, pois são movidos somente pelo trabalho, pela eficiência, pelo lucro, precisam mostrar que são cidadãos sérios e respeitados. Esses indivíduos ligam somente para a exatidão, trabalham por muitos anos com o intuito de acúmulo de bens materiais, entretanto, quando conseguem obtê-los não usufrui deles, ou seja, trabalham tão somente para possuí-los.

O quinto planeta era habitado por um acendedor de lampiões, esse asteroide era muito pequeno, e por isso os pores do sol eram muitíssimos ao decorrer de curtíssimos espaços de tempo. O habitante deste planetinha era muito rígido quanto ao cumprimento de regulamentos, mas obedecer tais regulamentos nesse caso, não é algo que afeta somente ao acendedor, isto é, ele se ocupa muito, entretanto, a atividade de acender o lampião constantemente contribui para a vida de outrem.

O sexto planeta, era habitado por um geógrafo, este, vivia a escrever num livro de grande espessura, dizia que conhecia todas as localizações exatas de todas as coisas tais como: rios, montanhas, vulcões, desertos etc. Ele não conhecia quase nada de seu planeta. Esse geógrafo representa aquelas pessoas que dizem conhecer a vida, as coisas, mas que na prática ocorre diferente, são indivíduos que vivem de teorias e planejamentos, mas que nunca põem em órbita seus planos. São sujeitos procrastinadores que adiam o que poderiam já tê-lo feito, como vivem só de planos e teorias esquecem que a vida se faz na prática.

O sétimo planeta era a Terra, lá se situavam em grandíssima quantidade todos os indivíduos dos demais planetas, ou seja, lá tinha monarcas, empresários, dependentes químicos, vaidosos, geógrafos e acendedores de lampiões. Com isso, o autor diz que tal planeta é repleto de pessoas grandes e sérias com todos os valores e qualidades que tinham os habitantes dos outros planetas. No diálogo do principezinho com a flor no deserto, é mostrado como os homens são passageiros, levados pelo vento, pois não gostam de lançar raízes (superficialidade dos relacionamentos). Já no diálogo entre o principezinho e a raposa, fica perceptível a ideia de que os homens não criam mais laços, não se cativam mais. Ele expõe que quando cativamos uns aos outros deixamos de ser só mais um (a) na vida do outro, passamos a ser únicos e que criamos relações de interdependência.

Outro ponto é quando a raposa fala que os homens desejam tudo pronto (imediatismo) e que dessa forma compram o que desejam, no entanto, para se ter amigos, é preciso cativá-los, pois não existem lojas de amigos. Outra lição que a raposa dá, é que o essencial é invisível aos olhos, além de que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Na conversa com o manobreiro, vemos que nunca estamos felizes onde estamos e que nossa insatisfação é perpétua.

Fica claro que somos seres que nascemos, vivemos e morremos inacabados, mesmo fechando os ciclos (ciclo da vida: nasce, cresce, reproduz e morre) somos incompletos, pois é impossível um estado de completude. Na volta do pequeno príncipe ao seu planeta, ele diz que só a casca (o corpo) ficará e que o essencial se vai, e pergunta ainda que graça se tem numa casca, ou seja, o que realmente importa é o que se tem dentro, ideias e sentimentos, mas infelizmente damos valor somente ao invólucro. Com essa ideia, o autor mostra que estamos aqui na vida de passagem, e que nada é realmente concreto, pois nosso corpo é descartável, é efêmero e o que realmente importa é o conteúdo e os seres únicos que somos.



O início de alguma coisa...

        


Por Ghost Writer

Tudo tem seu princípio, meio e fim, sejam as coisas ou os seres vivos, pois isso é uma lei universal goste você ou não! Quando simplesmente temos que aceitar as coisas como são, tomamos consciência de nossa inerente insignificância, então notamos  que tudo floresce a despeito de nós. Quando percebemos que não somos tão notáveis assim e que podemos desaparecer do mundo num átimo, tentamos de alguma maneira deixar nossas pegadas nesse tão vasto mundo cão. 


O esquecimento, ou pior ainda, o mero pensamento de que nunca fomos sequer notados, põe em xeque nossa suposta importância. Como sou filho e herdeiro de nada em particular, venho através  deste blog, neste mar digital, fingir ser notório. Venho por meio de palavras tentar deixar algumas pegadas; nessa terra onde o vento e a chuva obliteram nossas marcas impetuosa e rapidamente, onde a brisa leva as palavras como folhas secas e as existências simplesmente evanescem. 

Introversão, amizades, identidade, etc.

Por Ghost Writer Instintivamente sabemos o que é melhor para nós, lá dentro da nossa cabeça ecoa aquela voz que te diz como agir e o qu...